O número de crimes de ataques a banco continuam em declínio na Paraíba, conforme mostra o “Mapa da Violência” do Sindicato dos Bancários do Estado da Paraíba, que desde 2011 monitora todos os registros desses crimes em território paraibano. Até a publicação do mapa, em 2020, foram registradas 17 ocorrências do tipo, sendo assim, o menor índice desde que o levantamento começou a ser realizado.

Porém, os números deste ano não seguiram o alto percentual de queda, como entre 2018 e 2019. É que os números de 2019 foram três vezes menores do que os registrados em 2018, representando uma diminuição de 66,6%. Já entre 2019 e 2020, a diminuição correspondeu a 22,7%.

Em 2011, quando o mapa foi realizado pela primeira vez, foram 72 ocorrências em um ano. E esses números, com algumas oscilações, foram crescendo até chegar ao ápice em 2015, quando 132 registros de crimes do tipo aconteceram na Paraíba.

De lá para cá, no entanto, os números começaram a cair: 105 em 2016, 81 em 2017, 66 em 2018 , 22 em 2019 e, por fim, 17 em 2020.

Tipos de ocorrências

Dos 17 registros, 11 foram explosões de caixas eletrônicos, o tipo de crime contra bancos que historicamente é o mais comum de todos. É importante ressaltar que, entre 2019 e 2020, o percentual desse crime não apresentou diminuição. Em ambos os anos, o quantitativo foi de 11 ocorrências, como pode ser observado no gráfico abaixo.

Foram registrados ainda quatro arrombamentos e duas tentativas de assalto. Não houve nenhum assalto, nem saidinha de banco. Em quase todas as modalidades, com exceção dos crimes de explosões, 2020 foi o ano mais tranquilo desde o início do levantamento, de acordo com o Mapa da Violência do Sindicato dos Bancários.

Porém, conforme mostra o gráfico abaixo, as explosões e as saidinhas tiveram seus ápices em 2015, com 76 e 14 ocorrências respectivamente. Já os assaltos, os arrombamentos e as tentativas de assaltos tiveram seus ápices em 2013, com 17, 35 e 18 ocorrências respectivamente.

Ao que se deve a diminuição dos crimes a bancos?

Para a Polícia Militar da Paraíba, responsável pela segurança pública estadual, a diminuição se deve, principalmente, ao trabalho ostensivo das equipes. Ao G1, a Polícia Militar informou que as ações realizadas pela corporação para o enfrentamento aos crimes contra bancos foram reforçadas com a força-tarefa criada pelo Governo da Paraíba.

“A força-tarefa fortaleceu o trabalho integrado que a Coordenadoria de Inteligência da PM tem com os Batalhões de todo o Estado, com destaque para o Grupamento Especializado de Operações em Área de Caatinga (GEOsAC), que é uma tropa que foi criada há 3 anos pelo comandante-geral, coronel Euller Chaves, para atuar em ocorrências de alta complexidade e que possui policiais capacitados para agir nesses tipos de crimes contra instituições bancárias”, explicou em nota.

Segundo a Polícia Militar, nas ações desempenhadas pelo GEOsAC, pelo menos cinco quadrilhas que agiam no Nordeste foram enfrentadas e quase 50 armas de grosso calibre foram apreendidas.

Esse trabalho, destacado pela PM, tem, de fato, uma contribuição representativa na manutenção da ordem pública, especialmente nos ataques a bacos. No entanto, o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Lindonjhonson Almeida, explica que outra perspectiva precisa ser analisada.

Para ele, “essa redução nas ocorrências de crimes envolvendo bancos na Paraíba em 2020, em relação ao ano passado, tem a ver com o fechamento de agências, tanto nas reestruturações em curso pelos bancos quanto pela não reabertura de algumas que foram explodidas. Também temos de levar em consideração que muitas agências, principalmente no interior do estado, trabalham sem numerário.”

Ele explica também que o dispositivo de colocar tintas nas notas, que se soltam quando acontece alguma explosão, colaborou para diminuir os assaltos, visto que esse tipo de crime deixou de ser tão eficiente e rentável.

“A utilização do mecanismo que suja de uma tinta especial quando os caixas eletrônicos são explodidos, a exemplo do procedimento que o Bradesco adotou, também tem inibido a atuação dos bandidos, que não vão correr riscos sem poder utilizar o dinheiro depois do crime”, explicou.

De acordo com o presidente do sindicato, a pandemia também corroborou muito para a diminuição na circulação de dinheiro pelos bancos, por conta do distanciamento.

“No caso da Caixa, que concentrou o pagamento do auxílio emergencial mais os pagamentos dos benefícios sociais, como se trata de um banco 100% público, quem cuida de apurar os crimes envolvendo é a Polícia Federal e, talvez por isso, os crimes também diminuíram”.

O presidente ainda ponderou que, na visão do sindicato, a segurança dos bancos ainda não é eficaz.

“De uma coisa temos certeza, é que a diminuição dos crimes contra bancos na Paraíba durante o ano de 2020 não ocorreu devido a investimentos dos bancos em segurança.”

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Campina Grande e região, Esdras Luciano, a diferença entre 2019 e 2020 é pequena, e quando se tratam das explosões a bancos, os números não caíram. Para ele, de modo geral, as ocorrências têm diminuído, mas esse percentual não se deve a apenas um fator.

“De um lado há, sim, uma atuação mais forte da Polícia Militar, mas que ainda precisa ser equipada com veículos e armamento de qualidade para combater esse tipo de ação e também a instalação de dispositivos de marcação de notas, que acaba coibindo um pouco a ação dos bandidos”, disse.

Porém, o presidente avalia que ao fator principal nessa redução porque alguns bancos têm uma política de retirar o dinheiro de agências que são assaltadas mais de uma vez, deixando-as apenas com serviços burocráticos ou com atendimentos que não envolvam dinheiro em papel. Em casos mais extremos, as agências chegam até a ser fechadas em definitivo.

Segundo o sindicalista, isso é extremamente maléfico. “Gradativamente a gente tem acompanhado uma concentração maior de agências nas cidades maiores, como Campina Grande e João Pessoa, enquanto nos municípios menores, as agências ou estão sendo fechadas ou estão sendo transformadas em postos de atendimento, o que prejudica a população e faz com que as pessoas acabem gastando o dinheiro nas cidades onde sacam”, diz.

Fonte: G1