Um dos homens condenados pela justiça por um crime que ficou conhecido como “Barbárie de Queimadas”, que resultou em 2012 no estupro de cinco mulheres e no assassinato de duas delas, foi executado a tiros na madrugada deste domingo (20). Jacó Sousa tinha sido condenado a 30 anos de prisão, havia cumprido oito deles no presídio de Segurança Máxima PB1, em João Pessoa, e estava em liberdade condicional há dois meses quando retornou a Queimadas, cidade do interior da Paraíba onde ele morava antes de ser preso e onde o crime havia sido cometido.

Nessa madrugada, estava numa barraquinha de espetinho, bebendo com alguns amigos, quando homens chegaram ao local por volta das 3h. Eles efetuaram vários disparos e executaram Jacó, que morreu no local antes mesmo da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O delegado Ilamilton Simplício, da Polícia Civil da Paraíba, está responsável pelas investigações. Ele disse que o crime aconteceu tarde da madrugada e que poucas pessoas estavam na rua. Além disso, as testemunhas se negaram a falar com a polícia, por medo de alguma represália, o que dificulta o trabalho. “As pessoas não deram informações de jeito nenhum. Vamos apurar com o tempo. Vai ser uma investigação lenta”, previu ele.

Ilamilton disse ainda que em casos de homicídio nenhuma hipótese pode ser descartada. Admitiu, contudo, que a possibilidade de vingança é uma das linhas de investigação, mas ponderou também que é preciso analisar que tipo de relações ele manteve na prisão. “Tudo é possível, mas as duas linhas principais são essas: ou vingança ou algum problema registrado nos oito anos que ele permaneceu preso”, enumerou.

A Barbárie de Queimadas

O crime como “Barbárie de Queimadas” aconteceu em fevereiro de 2012. No dia 12 de fevereiro, cinco mulheres foram estupradas e duas delas – a professora Isabela Pajuçara e a recepcionista Michelle Domingos – foram assassinadas na cidade de Queimadas, no Agreste da Paraíba. Elas estavam em uma festa de aniversário em uma casa com dez homens.

Izabella Monteiro e Michelle Domingues morreram após estupro coletivo em Queimadas — Foto: Arquivo Pessoal

Izabella Monteiro e Michelle Domingues morreram após estupro coletivo em Queimadas — Foto: Arquivo Pessoal

Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, os estupros foram planejados pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam chamado amigos para abusar sexualmente das mulheres convidadas para a festa de aniversário de Luciano. Segundo informações contidas no processo, o estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.

No fim de tudo, Eduardo foi apontado como mentor do crime. Ele foi a júri popular em 2014 e acabou condenado a 108 anos de prisão, pelos crimes de homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores, porte ilegal de arma, estupros e lesão corporal.

Eduardo dos Santos Pereira ouve a sentença após após 19h de julgamento: 108 anos de prisão por ser mentor do crime — Foto: André Resende/G1

Eduardo dos Santos Pereira ouve a sentença após após 19h de julgamento: 108 anos de prisão por ser mentor do crime — Foto: André Resende/G1

Outros cinco homens além de Jacó foram condenados pela justiça sem a necessidade de passar por júri popular pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro. As penas foram diferentes para cada um.

Luciano dos Santos Pereira foi condenado a 44 anos de reclusão, Fernando de França Silva Júnior e Jacó Sousa foram condenados a 30 anos, Luan Barbosa Cassimiro e José Jardel Sousa Araújo foram condenados a 27 anos, e Diego Rêgo Domingues foi condenado a 26 anos. Três adolescentes também foram julgados e sentenciados a cumprir medidas socioeducativas no Lar do Garoto.

Fonte: G1