A partir do dia 3 de agosto, toda gasolina automotiva produzida no Brasil terá de estar adequada às novas especificações da resolução publicada em janeiro pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A promessa é de que a nova gasolina tenha um consumo menor do que a atual, além de dificultar possíveis tentativas de adulteração, aproximando-a do padrão do combustível comercializado nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, ela deve chegar às bombas com um preço um pouco mais salgado.

De acordo com a ANP, as novas especificações aprimoram a qualidade da gasolina brasileira, proporcionam maior eficiência energética, melhorando a autonomia dos veículos pela diminuição de consumo, e viabilizam a introdução de tecnologias de motores mais eficientes, com menores níveis de consumo e emissões atmosféricas.

Até então, não havia um padrão estabelecido para a densidade, ou massa específica (ME), fundamental para o bom funcionamento do motor — quanto menor a densidade, maior o consumo. Na Resolução nº 807/2020, a ANP estabeleceu um valor mínimo de massa específica, de 715,0 kg/m3, o que significa mais energia e menos consumo. Entretanto, as porcentagens de etanol anidro na gasolina continuarão os mesmos: 27% na comum e aditivada, e 25% na premium.

A exigência de densidade mínima promete dificultar a adulteração da gasolina com solventes, já que a maioria dos produtos utilizados para a adulteração do combustível tem densidade inferior. Para verificar se a nova exigência está sendo cumprida, basta o motorista mergulhar na gasolina um densímetro calibrado entre 700 e 750 gramas por litro. Se o valor indicado estiver abaixo de 715, é sinal de que o combustível foi adulterado. Todos os postos deverão disponibilizar o medidor para testar a densidade da gasolina, a pedido do consumidor.

Outra mudança determinada pela ANP é a adoção de um valor mínimo para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A, de 77,0 ºC. "Os parâmetros de destilação afetam questões como desempenho do motor, dirigibilidade e aquecimento do motor", explicou a agência, por nota.

O terceiro ponto da nova especificação é a fixação de limites para a octanagem RON (Research Octane Number), já presente nas especificações da gasolina de outros países. "A fixação de tal parâmetro mostra-se necessária devido às novas tecnologias de motores e resultará em uma gasolina com maior desempenho para o veículo", afirmou a ANP, informando que no Brasil só era especificada a octanagem MON (Motor Octane Number) e o índice antidetonante (IAD), que é a média entre MON e RON.

"O valor mínimo de octanagem RON, para a gasolina comum, será 92, a partir de 3 de agosto de 2020, e 93, a partir de 1º de janeiro de 2022. Já para a gasolina premium, será de 97, já a partir de 3 de agosto próximo", disse a ANP.

A mudança atende aos atuais requisitos de consumo de combustível dos veículos e de níveis de emissões progressivamente mais rigorosos, considerando cenário futuro das fases L-7 e L-8 do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve - Ibama) e do Programa Rota 2030 - Mobilidade e Logística (Governo Federal).

Além de estabelecer as novas especificações da gasolina, a resolução da ANP determina as obrigações quanto ao controle da qualidade a serem atendidas pelos agentes econômicos.

Prazo
A resolução deu um prazo até 3 de agosto para os produtores de combustíveis se adequarem às regras, data em que toda a gasolina produzida no país deverá atender às novas especificações. As distribuidoras terão ainda dois meses para se adequar e as revendedoras, três meses.

O prazo tem por objetivo permitir o escoamento de possíveis produtos comercializados até o dia 2 de agosto ainda sem atender integralmente às novas características, informou a agência.

A Petrobras, maior produtora de gasolina no Brasil, informou, no final de junho, que já está preparada para abastecer o mercado com as novas regras.

Fonte: Estadão Conteúdo