O presidente do Burundi, Pierre Nkurunziza, de 55 anos, morreu de um ataque cardíaco, informou o governo do país africano nesta terça-feira (9) em sua conta oficial do Twitter.


"O governo da República do Burundi anuncia com grande tristeza a inesperada morte de Sua Excelência Pierre Nkurunziza, presidente da República do Burundi (...) devido a um ataque no coração em 8 de junho de 2020", informou o tuíte.


O texto também detalha os últimos dias do presidente Nkurunziza: após assistir uma partida de vôlei no sábado, 6 de junho, sentiu-se mal durante a madrugada do dia 7 e "rapidamente foi levado ao hospital".


"No domingo, seu estado de saúde havia melhorado e conversou com as pessoas que estavam ao seu lado", mas "para grande surpresa de todos", na manhã de segunda "seu estado de saúde mudou bruscamente e sofreu um ataque cardíaco", continua o texto.


Nkurunziza governava o Burundi, um dos países mais pobres do planeta, desde 2005.


Em 20 de maio, seu sucessor, Evariste Ndayishimiye, foi eleito para substituí-lo à frente do Estado, já que Nkurunziza havia decidido não se reeleger. Seu mandato finalizava em agosto.


"Ele nos deixa um legado que nunca esqueceremos e continuaremos seu trabalho de alta qualidade que ele fez para o nosso país", disse Ndayishimiye no Twitter.



O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, expressaram suas condolências.


Ndayishimiye prometeu nesta terça-feira "continuar o trabalho" de seu mentor. "Simpatizo com a dor da família, dos ativistas do CNDD-FDD (partido governante) e de todos os burundianos. Ele nos deixa um legado que nunca será esquecido e continuaremos seu trabalho de alta qualidade", escreveu em uma mensagem em kirundi, a língua nacional.


A controversa decisão de Nkurunziza de concorrer a um terceiro mandato em 2015 mergulhou o país em uma forte crise marcada por atos violentos que causaram pelo menos 1.200 mortes, centenas de milhares de deslocados e uma forte repressão da oposição e dos meios de comunicação.




'Essência divina'




As eleições de 20 de maio ocorreram apesar da epidemia de Covid-19: milhares de apoiadores compareceram em massa aos comícios de campanha, e no dia da eleição os eleitores se aglomeraram em filas nos centros de votação sem tomar nenhuma medida de prevenção.


Até o momento, não se sabe se a parada cardíaca da qual Nkurunziza morreu foi consequência de uma infecção por Covid-19. A esposa de Nkurunziza havia sido hospitalizada recentemente em Nairóbi para receber tratamento e fontes em Buyumbura afirmaram que ela havia sido infectada pelo coronavírus.


De origem hutu (maioria no país), Nkurunziza era um evangelista cristão, convencido de que sua autoridade era de essência divina.


Elevado ao posto de "Guia Supremo do Patriotismo" pela Assembleia Nacional, em fevereiro passado, Nkurunziza, que concentrou todos os poderes em suas mãos, continuou como presidente do muito influente Conselho de Sábios do partido.


Durante a guerra civil do Burundi, na qual morreram cerca de 300 mil pessoas entre 1993 e 2006, Pierre Nkurunziza conseguiu sobreviver quatro meses gravemente ferido em um local pantanoso.


Foi ali, segundo ele, que teve a revelação divina de que algum dia governaria o Burundi.



Ele nasceu em 18 de dezembro de 1964 no berço de uma família rica. Em 1972, seu pai foi assassinado em um massacre que dizimou a elite hutu.




Fonte: G1