A jornalista Jaqueline Lemon planejava passar seu aniversário, na última quinta-feira (19), nas ruínas incas de Machu Pìcchu, no Peru. Só não imaginava que, com o fechamento das fronteiras e a quarentena devido à pandemia de coronavírus, ela seria obrigada a passar a data fechada em um quarto de hotel.

Ela é um dos mais de 300 turistas brasileiros que estão retidos em Cusco, no Peru, desde o início da semana. O governo brasileiro havia anunciado voos para repatriá-los nesta sexta-feira (20), mas os dois aviões chegaram apenas até a capital, Lima, e retornaram para o Brasil levando quem estava lá.


"Não sei o que está acontecendo", reclama Jaqueline. "A embaixada diz desde terça-feira que 'estão negociando', mas não nos dão nenhuma resposta. O presidente daqui disse que liberou os voos humanitários para retirar os cidadãos de outros países."

Semana problemática
Jaqueline chegou a Cusco no último domingo, pouco antes das fronteiras serem fechadas pelo presidente peruano Martín Vizcarra. Desde então, a semana tem sido desgastante e cheia de problemas.

"Nenhum serviço funciona, estamos todos confinados no hotel. Só temos feito uma refeição por dia porque os funcionários arrumam um pouco de comida. No resto do dia só tem coisas de mercado, mas é salgadinho e bolacha, nada além disso", conta ela.


Inicialmente, o hotel encerrou sua estadia e iria fechar, mas os hóspedes conseguiram negociar para não irem parar na rua. Mas não é barato. A diária subiu para US$ 50 (cerca de R$ 253) e não inclui mais limpeza no quarto nem troca de roupa de cama ou toalhas, porque o hotel teve de dispensar funcionários.

"Eu estou jogando tudo no cartão de crédito e vou ter que me virar para pagar depois, mas muita gente aqui já não tem mais dinheiro", explica.

Sem previsão de retornoTambém em Cusco, o analista de sistemas Everson de Oliveira e sua esposa, Mayara, ainda aguardam por um meio de voltar ao Brasil. Ela requer cuidados especiais porque tem problemas no rim e tinha uma cirurgia marcada para a próxima semana.



O nome de Mayara não aparece em nenhuma das duas listas de turistas que a embaixada montou para ter controle de quem ainda está na cidade. "Todo dia falam que não tem previsão (de volta), está complicado", desabafa Everson.

A revolta dos que estão retidos em Cusco aumentou depois que eles receberam fotos tiradas por turistas que embarcaram em Lima para voltar ao Brasil. A imagem mostra bancos desocupados no avião. "A gente querendo ir embora e um monte de lugar vazio", reclama Everson.

Ao pedir esclarecimentos à embaixada brasileira em Lima, ele recebeu apenas a resposta: "Não temos ainda confirmação sobre voos ou ônibus saindo de Cusco com direção ao Brasil. Assim que tivermos novas informações, divulgaremos no site e na página de Facebook da embaixada".

Fonte: R7