Mergulhar no árido, respirar o ar da caatinga e revitalizar energias adormecidas são noções limitadas para explicar o que é estar no Lajedo de Pai Mateus. Plantado no Sertão do Cariri, o sítio arqueológico é um aglomerado de mais de 100 pedras gigantes (algumas chegam a 4 metros de altura) equilibradas sobre uma base rochosa. Um registro natural de uma terra seca e cheia de histórias para contar.

Há mais de 500 milhões de anos resistem escancarados os matacões, termo técnico para os blocos arredondados. Antes soterrados, romperam a superfície acompanhando o balanço da natureza e foram tecendo um rastro de misticismo que atrai até hoje visitantes curiosos, dos hippies esotéricos aos que buscam a beleza de uma paisagem quase intocada.






Cético ou não, o viajante que se depara com a aspereza das rochas percebe também sua beleza sutil, a peculiar contradição do bruto que é leve. As marcas do tempo contam histórias e ajudam a entender o caráter espiritual que o Lajedo adquiriu. Alguns matacões têm inscrições rupestres atribuídas aos índios cariris, que habitaram a área 12 mil anos atrás. Reza a lenda que o tal Pai Mateus era um curandeiro ermitão que morava sob uma das rochas – ainda está lá uma suposta mesa de pedra em sua 'casa'.

A porta de entrada para conhecer o sítio é Cabaceiras, a 200 km de João Pessoa. Um letreiro na entrada classifica a cidade como a “Roliúde Nordestina”, apelido que remete às mais de 30 produções já gravadas na região, como o filme O Auto da Compadecida (2000) e a novela da Rede Globo Onde Nascem os Fortes (2018). De lá, são 20 km até o Lajedo. Para adentrá-lo, é preciso pagar uma taxa e estar acompanhado de um guia do Hotel Fazenda Pai Mateus, dos mesmos proprietários do terreno que abriga o sítio arqueológico. A hospedagem, a 4 km do Lajedo, é uma boa opção para quem quer pernoitar. Uma maneira de alongar a estada em um lugar onde a natureza crua se encontra com a magia.




Fonte:www.latam.com